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O povoado e o povo de Marcelino

O povoado de “Barra”, futura Marcelino Ramos, a época da conclusão da Estrada de Ferro São Paulo- Rio Grande (1910), já se chamava Estação Alto Uruguai

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20-12-1910 00:00:00

O povoado de “Barra”, futura Marcelino Ramos, a época da conclusão da Estrada de Ferro São Paulo- Rio Grande (1910), já se chamava Estação Alto Uruguai e formava um vilarejo acima da Estação, no primeiro patamar do morro, mas havia outros dois locais, VilaVárzea e em Santa Catarina, na cabeceira da ponte com aglomeração de casas, para moradia dos trabalhadores da ferrovia e da ponte definitiva, cujas obras iriam se manter por mais dois anos.

Urbanização do povoado de Marcelino Ramos em 1910

Havia concentração de casas em 3 locais: Centro do Povoado, Vila Várzea e Santa Catarina, junto a ponte.

1910: Marcelino Ramos, Ano Zero.

Como era o povoado da “Estação Alto Uruguai, em 1910?

Primeiros Moradores: Na região do povoado Estação Alto Uruguai, futuro povoado de Marcelino Ramos em 1910, habitavam, esparsamente distribuídos, os caboclos nativos da terra. Normalmente todas eram terras devolutas, pertencentes ao governo e sem estrutura inerente ao elemento civilizado. Muito provavelmente quem ocupasse a terra, não possuía documento de propriedade. O elemento humano, encontrado no território, era oriundo de lusitanos bandeirantes e ou revolucionários desgarrados, cruzados com índios, esse era o “brasileiro” do Alto Uruguai, o nosso caboclo. A maioriadas pessoas, entretanto, era constituída de índios e bugres. Com a chegada de ferrovia os ventos da civilização começavam a assolar o lugar e a população existente.

No ano de 1893, o Rio Grande assolado pela revolução Federalista, aportou a esse território, para morar, Joao Antônio Speranza e sua família, fixando-se a pouco mais de 5 km da confluência do Rio do Peixe, lugar onde hoje se localiza a comunidade da Linha Esperança. Speranza teria, alguns anos depois, suas terras indenizadas pela Compagnie Auxiliare, para o traçado da linha férrea. Francisco Vicente Duarte chegou na mesma época, mas estabeleceu-se no Estreito e no outro lado do Rio Uruguai, abaixo de Marcelino Ramos, no então território contestado sob jurisdição do Paraná, hoje Santa Catarina e atualmente a comunidade de Linha dos Vicentes.

Mais adiante, na Linha Teixeira Soares, instala-se Francisco Dal Zott Ritter, vulgo “Chico Fumo” e, logo seguir, Carlos Eleutério Ritter, junto a barra do Rio Teixeira Soares.

Outras famílias desse período do inicio dos anos 90: Antonio Marques da Silva, na região do Estreito, Francisco Gerber e Guilherme Wiszorek, no Lageado Esperança, citados por Nélson Fornari Thomé, no livro “Marcelino Ramos- Histórico”.

Nos últimos anos da década de 1890, mais especificamente após 1895, as casas se formavam na parte central do povoado, já com a noticia de que, na região passaria uma estrada de ferro. Esse fato começou a atrair moradores diversos, inclusive comerciantes, que para cá se dirigiam, pelo movimento que a construção da ferrovia trazia a região. Assim, chegaram de 1997-1998, quando o povoado começou a receber, cada vez mais moradores. A principal categoria de trabalhadores passou a ser a dos ferroviários. Mais de 50 famílias ferroviárias se instalaram no povoado. Marcelino Ramos era um povoado ferroviário.

Primeiras empresas: Naquele ano de 1910, já fazia dois ou três anos que algumas firmas, principalmente as comerciais, tinham se estabelecido no povoado. Afinal, a população devia oscilar entre 100 e 300 pessoas fixas, para a construção da ferrovia, aumentando significativamente no período das construções das duas pontes, primeiro a ponte provisória e logo após, a ponte definitiva, metálica. Era necessário o suporte logístico: alimentação, vestuário, calçados, etc...A tônica dessas casas comerciais era o tipo bodega, ou bodegão, chamado de loja, casa comercial e, depois secos e molhados. Vendiam de tudo, desde os objetos de uso pessoal, produtos coloniais e agrícolas, até alimentos para as casas de moradia dos operários, para as casas de refeições( hotéis, pensões, etc...) que se agregavam ao povoado, municiando, por fim, estabelecimento de serviços mais específicos, como ferrarias, padarias, barbearias e outras tantas que a modernidade da época exigia.

Assim, em 1910 já existiam no povoado da estação Alto Uruguai as firmas pioneiras, Irmãos Pereira, J.A Formighieri, Batista e Ruas, Humberto Fontes, Salin Assef e outras. Em 1910, conclui-se a construção da ponte provisória e em, 1911, inicia a da ponte metálica. Segundo depoimento de Joao Pereira, em entrevista ao professor Ernesto Cassol “trabalhavam, nas obras da ponte, entre 400 e 500 homens”. Outras fontes falam em “cerca de mil operários” na construção da ponte da Estrada de Ferro São Paulo- Rio Grande sobre o Rio Uruguai em Marcelino Ramos.

J.A FORMIGHIERI: Anibal Formighieri veio com a mulher e os filhos de Passo Fundo para Marcelino Ramos em 1910: “ vislumbrava na construção excelente oportunidade para torna-se comerciante de “secos e molhados” e abrir uma padaria, passando a abastecer cerca de mil operários da obra. Foi pioneiro também na fabricação da Cerveja Sul, tijolos e produção de erva mate, além da concessão da Balsa. Morreu em 1934, quando o filho Narcisio Formighieri assumiu o comando dos negócios.

 

IRMAOS PEREIRA: Joao Pereira foi uma das mais expressivas lideranças marcelinense da primeira metade do século XX. Veio de Tupanciretã em 1910, estabelecendo uma Cassa Comercial com o irmão, para abastecer os operários que construíam a Ferrovia e a Ponte. Nesse mesmo ano, instalou o HOTEL DO SUL, no outro lado da Ponte (Santa Catarina), junto a ferrovia. Homem ligado as atividades politicas, transferiu-se para Erechim em 1940, onde foi vereador, chegando a assumir como prefeito. Morrei em 1962.

HUMBERTO FONTES: Ramo de Armazém de Secos e Molhados, Humberto da Silva Fontes fazia parte e uma família de fiscais do Governo de Santa Catarina junto ao Porto da Balsa de Marcelino Ramos. Por ocasião da construção da Ponte já estava estabelecido na proximidade, trabalhando a vista e “na caderneta” , para os residentes fixos, mas principalmente para os operários e técnicos da ponte: Antonio David, Estrelino Pinto, Carlos Estevão, José Blasi, Joao Sanona, Joao Jaspon, Manoel Antonio, Joaquim Antonio, Maximiliano Mozer, Policardencio Vargas, Belisário Vargas, Norberto de Oliveira,  Manoel Silva, Anasthácio Pinto, Adolpho Soares, Manoel Silva, José Terra, Angelo Bonatto, David Roza, Antonio Tapia, Eduardo Maciel, Júlio Sanona, Telemaco Alves, Henrique Robaert, Pascacio Pereth, Ramiro Cordeiro, Joao Joaquim de Oliveira e José Cozer, entre outros.

SALIN ASSEF: Em 1910, quando se completou a ligação da Ferrovia São Paulo- Rio Grande já estava instalado em Marcelino Ramos, com “ secos e molhados”. Faleceu no começo dos anos 50,quando trabalhava com loja de tecidos e confecções (não mais com “molhados” : alimentos), com sua casa comercial localizada no prédio construído em 1918, onde atualmente se localiza o escritório de indústria VICATO.

IRMÃOS RUAS: Da mesma forma que os demais, Os Irmãos Ruas atuavam no ramo de comercio em geral, em localização próxima a Ponte, com poucos registros, mais citados por Franz Grundler, no seu relato sobre os primeiros anos do povoado de Marcelino Ramos.

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